Ramiro Figueiredo Catelan

outubro 10, 2023

Transtorno do Espectro do Autismo (TEA): o que é e como lidar

Oi, tudo bem com você? Meu nome é Ramiro, sou psicólogo, doutor em Psicologia e autista e hoje vim falar um pouco sobre TEA.

O QUE É TEA? 🧐

O transtorno do espectro do autismo (TEA) é uma condição neurobiológica complexa que afeta o desenvolvimento social, comunicativo e comportamental de uma pessoa. Além disso, ele é caracterizado por uma variedade de sintomas e níveis de gravidade, razão pela qual é chamado de “espectro”. Por isso, as pessoas com TEA podem ter uma ampla gama de habilidades, desafios e características individuais.

autismo tea
Fonte: Jaime Sánchez

Alguns dos principais sintomas do TEA incluem:

🎧 Dificuldades na comunicação:

É possível que indivíduos com TEA apresentem dificuldades em entender ou usar a linguagem verbal e não verbal, como gestos e expressões faciais. Algumas pessoas com esse diagnóstico podem não falar ou ter dificuldade em iniciar ou manter uma conversa, por exemplo.

🙇‍♂️ Dificuldades na interação social:

Pessoas com TEA podem ter dificuldade em entender e responder aos sentimentos e intenções dos outros, o que costuma levar a dificuldades em estabelecer e manter relacionamentos sociais significativos.

🧩 Comportamentos repetitivos e restritos:

Muitas pessoas com TEA exibem padrões repetitivos de comportamento, interesses ou atividades. Isso pode incluir movimentos repetitivos do corpo, fixação em um único assunto ou atividade, ou aderência rígida a rotinas (e uma consequente desorganização emocional quando essas rotinas são, de alguma forma, quebradas).

🙉 Sensibilidade sensorial:

é comum que pessoas com TEA tenham sensibilidades aumentadas ou diminuídas a diferentes estímulos sensoriais, como luzes, sons, texturas, cheiros e/ou gostos. Isso pode impactar de forma significativa a forma como a pessoa se relaciona consigo e o mundo.

Cada um com seu jeitinho no TEA!

O TEA é uma condição altamente heterogênea, o que significa que cada indivíduo com essa condição é único e pode apresentar uma combinação muito singular de características e desafios.

O diagnóstico é baseado na observação cuidadosa do comportamento e do desenvolvimento do indivíduo, geralmente envolvendo uma equipe de profissionais de saúde, como psicólogos, psiquiatras, fonoaudiólogos e, no caso de crianças, pediatras.

Embora o TEA seja uma condição vitalícia 👨‍🦳🧑‍🦳, ou seja, dure para a vida toda, muitas pessoas com autismo podem se beneficiar de intervenções e terapias que buscam melhorar suas habilidades sociais, comunicativas e comportamentais, permitindo que desenvolvam seus recursos e alcancem uma boa qualidade de vida.

TEA e TDAH

O TEA compartilha algumas características em comum com outro quadro neurodesenvolvimental chamado transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).

Ambos se iniciam na infância, envolvem diferenças na formação e maturação do cérebro e podem afetar o funcionamento diário em atividades educacionais, sociais e familiares (por exemplo, dificuldade de realizar tarefas do cotidiano, hiperfoco em assuntos específicos, alta sensibilidade emocional, inquietação motora).

Entretanto, enquanto os principais problemas no TDAH envolvem desatenção, hiperatividade e impulsividade, as características centrais do TEA giram em torno das dificuldades com comunicação e interação social, comportamentos e padrões repetitivos e alta sobrecarga sensorial.

É comum que os dois diagnósticos sejam encontrados ao mesmo tempo na mesma pessoa, mas uma avaliação neuropsicológica e médica pode ajudar a distinguir os quadros. 

TIPOS DE TEA

Nível 1️⃣

Indivíduos no Nível 1 do TEA apresentam dificuldades significativas nas interações sociais, na comunicação social e nos comportamentos restritos e repetitivos que caracterizam o autismo. Embora eles possam precisar de apoio e assistência em algumas áreas, geralmente conseguem realizar atividades diárias. Pode haver dificuldades na adaptação a mudanças e em situações sociais, mas essas dificuldades podem não ser tão graves como nos níveis mais elevados do espectro. É o que costuma ser chamado de “autismo leve”, o que antigamente era mais conhecido como Síndrome de Asperger.

Nível 2️⃣

Indivíduos no Nível 2 do TEA apresentam déficits mais acentuados nas interações sociais e na comunicação do que aqueles no Nível 1. Eles podem ter dificuldades mais significativas em adaptar-se a mudanças, iniciar interações sociais e responder a sinais sociais. Essas dificuldades podem afetar seu funcionamento em diversas áreas da vida diária e eles geralmente necessitam de substancial assistência e apoio para lidar com essas dificuldades.

Nível 3️⃣

Indivíduos no Nível 3 do TEA apresentam os déficits mais graves nas áreas de interações sociais, comunicação e comportamentos restritos e repetitivos. Eles podem ter comunicação verbal limitada ou ausente e muitas vezes têm grande dificuldade em lidar com mudanças, interagir socialmente e realizar atividades diárias sem apoio significativo. Por isso, esse nível é caracterizado por um grau substancial de comprometimento e geralmente requer um alto nível de assistência contínua.

É importante observar que esses níveis não são uma forma de classificar ou rotular as pessoas, mas sim uma maneira de avaliar as necessidades e o grau de apoio necessário para indivíduos com TEA. Cada pessoa é única, e o diagnóstico e plano de tratamento devem ser adaptados às suas necessidades individuais.

QUAIS SÃO OS SINTOMAS DO AUTISMO LEVE?

Os sintomas do autismo leve (ou de nível 1, como é mais adequado dizer) podem variar amplamente de pessoa para pessoa 🤯. Além disso, eles costumam ser menos intensos e impactantes em comparação com os níveis mais graves do TEA. Então, abaixo vou listar para vocês alguns dos sintomas que podem estar presentes em pessoas com autismo nível 1:

Dificuldades na comunicação social: 📞

  • Pode haver dificuldades em entender e interpretar as emoções e intenções dos outros.
  • Dificuldades em iniciar e manter conversas.
  • Menos habilidade em compreender as nuances da comunicação não verbal, como gestos e expressões faciais.

Padrões de comportamento restritos e repetitivos: 🧮

  • Interesses restritos ou obsessivos em tópicos específicos.
  • Comportamentos repetitivos, como movimentos corporais ou verbalizações, por exemplo.
  • Adesão a rotinas rígidas e resistência a mudanças.

Habilidades sociais limitadas: 🙈

  • Dificuldades em fazer amizades ou estabelecer relações sociais profundas.
  • Menos propensão a se envolver em atividades sociais espontâneas.

Sensibilidades sensoriais: 👋

  • Pode haver hipersensibilidade ou hipossensibilidade a estímulos sensoriais, como luzes, sons, texturas e cheiros, por exemplo.

Dificuldades de ajuste e flexibilidade: 🧠

  • Pode ser mais desafiador lidar com mudanças inesperadas ou situações novas.
  • Além disso, pode ter dificuldades em adaptar-se a diferentes ambientes sociais ou contextos.

Fala monótona ou formal: 🗣️

  • Algumas pessoas com autismo nível 1 podem falar de maneira monótona ou mais formal, com uso limitado de entonação emocional.

Habilidades acadêmicas e intelectuais: 📚

  • Muitas pessoas com autismo nível 1 têm habilidades intelectuais normais ou acima da média em áreas específicas. É comum que haja coocorrência entre autismo nível 1 e altas habilidades/superdotação.

➡️ Leia também: Procrastinação: como vencer esse vício?

É importante que você lembre que esses são apenas exemplos de sintomas que podem estar presentes em pessoas com autismo nível 1. Afinal, a intensidade e a combinação dos sintomas podem variar significativamente de pessoa para pessoa.

Além disso, é importante lembrar que o autismo nível 1 não é uma limitação total, e muitas pessoas com essa condição conseguem desenvolver estratégias para enfrentar desafios e aproveitar seus pontos fortes. O diagnóstico e o apoio adequados podem ajudar indivíduos com autismo nível 1 a alcançar seu pleno potencial. 🎉

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QUAIS SÃO AS CAUSAS DO AUTISMO?

As causas do TEA não são completamente compreendidas, mas as pesquisas sugerem que é uma condição complexa que resulta da interação de vários fatores genéticos, neurológicos e ambientais. Não existe uma única causa definitiva para o autismo, mas vários fatores podem contribuir para o seu desenvolvimento. Alguns desses fatores incluem:

Fatores genéticos: 🩺

A genética desempenha um papel significativo no desenvolvimento do autismo. Estudos com gêmeos e famílias têm demonstrado que há uma predisposição genética para o autismo. Além disso, múltiplos genes podem estar envolvidos, e diferentes combinações genéticas podem contribuir para a expressão do TEA.

Mutação genética: 🧬

Certas mutações genéticas ou variações genéticas podem aumentar o risco de desenvolvimento do TEA. Algumas dessas mutações podem ocorrer de forma espontânea ou serem herdadas dos pais, por exemplo.

Fatores neurológicos: 🧠

Anormalidades no desenvolvimento e funcionamento do cérebro podem estar associadas ao autismo. Isso pode incluir, aliás, diferenças na conectividade neural e no processamento de informações sensoriais.

Fatores ambientais: 🏠

Embora a contribuição dos fatores ambientais não seja totalmente compreendida, alguns estudos sugerem que exposições pré-natais e pós-natais a certos fatores ambientais podem aumentar o risco de desenvolvimento do TEA. Esses fatores podem incluir complicações durante a gravidez, exposição a poluentes ambientais e certas infecções.

Disfunção imunológica: 🔬

Alguns estudos sugerem que disfunções do sistema imunológico podem estar associadas ao autismo em certos casos.

Além disso, algumas pesquisas indicam que a idade avançada dos genitores, em especial dos pais mais velhos, pode estar ligada a um aumento do risco de autismo em seus filhos.

Outros fatores que podem estar ligados ao TEA: 🔍

Fatores como, por exemplo, estresse durante a gravidez, complicações no parto e exposição a toxinas ou substâncias químicas também foram investigados como possíveis contribuintes.

É importante ressaltar que o autismo é uma condição muito complexa e que a interação desses diferentes fatores provavelmente desempenha um papel no seu desenvolvimento. No entanto, ainda não há uma compreensão completa de como esses fatores interagem e originam o TEA. 

COMO A FAMÍLIA 👥  DEVE LIDAR COM O DIAGNÓSTICO DE TEA?

Receber o diagnóstico de TEA pode ser um momento desafiador para a família, especialmente quando esse diagnóstico é precoce 👶. No entanto, existem várias maneiras pelas quais a família pode lidar e oferecer um ambiente de apoio e crescimento saudável para a pessoa autista. Então, abaixo seguem algumas sugestões para lidar com o diagnóstico de TEA na família:

Busque informação e educação sobre TEA: 📚

É importante aprender o máximo possível sobre o autismo. Afinal, isso pode ajudar a compreender os desafios e as necessidades específicas da pessoa com TEA. Além disso, educar-se sobre terapias e abordagens de tratamento eficazes também pode ser útil. Por fim, para crianças, intervenções como a terapia ABA mostraram-se eficazes. Já para os adultos, terapia cognitivo-comportamental pode ser uma opção.

Procure profissionais qualificados para TEA: 👩‍🔬

Busque a orientação e o tratamento de profissionais especializados em TEA, como, por exemplo, psicólogos, psiquiatras, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos e pediatras. Afinal, eles podem oferecer insights valiosos e orientação sobre como apoiar a pessoa autista.

Foco nas forças e habilidades: 💪

Concentre-se nas forças, interesses e habilidades da pessoa com autismo. Além disso, valorize as conquistas e os avanços, independentemente de quão pequenos possam parecer.

Promova um ambiente estruturado e previsível: 👩‍👩‍👧‍👧

O autismo muitas vezes é acompanhado por uma preferência por rotinas e previsibilidade. Então, criar uma rotina consistente e um ambiente estruturado pode ajudar a pessoa com TEA a se sentir mais confortável e segura.

Comunicação clara e adaptada para TEA: 👂

Use uma comunicação clara e adaptada às necessidades da pessoa com TEA. Isso pode envolver, por exemplo, o uso de comunicação visual, linguagem simples e outras estratégias que facilitem a compreensão.

Incentive a socialização: 🗣️

Ajude a pessoa com TEA a desenvolver habilidades sociais, incentivando interações com outras crianças ou adultos, de acordo com suas preferências e conforto, sempre respeitando os seus limites.

Rede de apoio para TEA: 🚸 

Busque grupos de apoio para famílias de pessoas com TEA. Isso pode proporcionar um espaço seguro para compartilhar experiências, obter conselhos e se conectar com outras pessoas que enfrentam situações semelhantes.

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Autocuidado: 👣

Cuidar de um membro da família com TEA pode ser desafiador. Por isso, é importante que os membros da família também cuidem de si mesmos, buscando apoio emocional e praticando o autocuidado.

➡️ Leia também: Terapia Familiar: 4 razões para fazê-la

Defina metas realistas: 📋

Estabeleça metas realistas para a pessoa com TEA, levando em consideração suas habilidades, limitações e interesses individuais. 

Amor, paciência e aceitação do TEA: 💛

Por fim, essas três características são vitais. Lembre-se de que a pessoa com TEA é única e tem muito a oferecer ao mundo.

➡️ Leia também: Autocompaixão: aprenda a ser gentil com você mesmo!

Além disso, cada família é única e as necessidades podem variar. É importante buscar apoio de profissionais e também de outros pais ou cuidadores que estejam passando por situações semelhantes.

Afinal, o objetivo é criar um ambiente amoroso e de apoio que permita que a pessoa com TEA alcance seu potencial máximo e desfrute de uma vida plena.

Espero que esse texto tenha feito sentido para você.

Um abração e até mais!

Escrito por:

Ramiro Figueiredo Catelan

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